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    April 27

    MAR REVOLTO / Fernanda Passos

     divisori13us

    MAR REVOLTO

    Fernanda Passos

     

     

    Sou mar bravio que esbarra nas falésias construídas por eu mesma

    no intuito de frear os arroubos que dilaceram meus limites.

    Nessa ânsia frenética por movimento,

    misturo minha liquidez ao barro vermelho de meu contorno e sangro.

    Mesmo ferida pelo revés,

    não deixo de traçar trajetórias oblíquas

    que desviem os traços que criei para mim.

    Vago por continentes e descubro istmos que ligam

    o vão de minhas tristezas à crista das esperanças que nunca abandono.

    Afogo-me nos abismos das ilusões e renasço nas ilhas de quimeras.

    Sou mar bravio e no constante fluir, separo minhas partes.

    Monto um mosaico de eu mesma.

    Construo, reconstruo, limito meu espaço, sangro, cicatrizo.

    Nunca cedo à tentação de não sentir.

    Jamais abandono a perspectiva de ir e vir.

     

    ricolrio4

    Fernanda Passos é professora universitária em são Luís do Maranhão

    e tem um blog com lindas poesias no Blogspot.

    Este é o endereço, visitem-no:

    http://pnaveia.blogspot.com/

     

     

     

     

    April 07

    OBSESSÃO DO MAR OCEANO / Mário Quintana

     
     
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    OBSESSÃO DO MAR OCEANO

     

    Vou andando feliz pelas ruas sem nome...
    Que vento bom sopra do Mar Oceano!
    Meu amor eu nem sei como se chama,
    Nem sei se é muito longe o Mar Oceano...
    Mas há vasos cobertos de conchinhas
    Sobre as mesas... e moças na janelas
    Com brincos e pulseiras de coral...
    Búzios calçando portas... Caravelas
    Sonhando imóveis sobre velhos pianos...
    Nisto,
    Na vitrina do bric o teu sorriso, Antínous,
    E eu me lembrei do pobre imperador Adriano,
    De su'alma perdida e vaga na neblina...
    Mas como sopra o vento sobre o Mar Oceano!
    Se eu morresse amanhã, só deixaria, só,
    Uma caixa de música
    Uma bússola
    Um mapa figurado
    Uns poemas cheios de beleza única
    De estarem inconclusos...
    Mas como sopra o vento nestas ruas de outono!
    E eu nem sei, eu nem sei como te chamas...
    Mas nos encontramos sobre o Mar Oceano,
    Quando eu também já não tiver mais nome.

     

    Mario Quintana -

    O Aprendiz de Feiticeiro

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